30.4.16

Ursa Maior




Eu vim de lá, vim de longe...
Singrei mares, alcancei  montanhas horizontes
Vim das margens do rio choró
Vim de lá, lugar da luz do lampião a gás
Vim da terra de onde quase não se tem dó
Abri veredas no sertão, deixei marcas nesse chão
Vim de longe de onde tudo quase não se tem mais
Eu vim do cheiro da terra, da escassez, da poeira da paz
Vim do banho de chuva de bica de cumieira
Vim da terra da oração costumeira
Vim de lá de onde tudo se encanta, se assusta e se espanta
Vim de onde com fé todo o mal se estanca
Vim de onde mulheres e homens com o galo se levantam
Vim do som do "martelo a galopado" da cantoria,
Vim de onde há um hábito de ouvir o mugir do gado
Vim de onde o cabra abestado não tem vez e passa agonia
Vim da terra da justiça, do caráter da alegria,
Vim de lá do por do sol e da alvorada infinita
Vim do interior do amor, onde se desfaz qualquer nó
Onde se beija a amada sob o brilho da Ursa Maior

J. Carvalho






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