24.3.17

ODE AOS SENTIMENTOS




Os Sentimentos Humanos certo dia se reuniram para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.

O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: “Ah, gente, vamos deixar tudo como esta”, e como sempre perder a oportunidade de ser feliz.

A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma arvore estava odiando tudo aquilo.

A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande, e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem frígida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.

A Mentira disse para Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estava fazendo ali.

Depois de contar 99 a Loucura começou a procurar.
Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.

A loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.
Juntos fazem a vida valer a pena.

Lya Luft

21.3.17

Carlos Drummond de Andrade por ele mesmo (Poemas)





ESCUTE DRUMOND POR ELE MESMO NESTE DIA INTERNACIONAL DA POESIA.


História:
O Dia Mundial da Poesia celebra-se todos os anos a 21 de março.
A data foi criada na 30ª Conferência Geral da UNESCO a 16 de novembro de 1999.
Este Dia Mundial da Poesia celebra a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. A data visa fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa. Neste dia realizam-se várias atividades pelo país, sobretudo nas escolas, bibliotecas e espaços culturais.
A poesia contribui para a diversidade criativa, usando as palavras e os nossos modos de perceção e de compreensão do mundo.
Poesia em Portugal
A história portuguesa apresenta muitos poetas cuja obra literária é mundialmente conhecida. Luís de Camões, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, José Régio, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Cesário Verde, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andersen, são alguns dos poetas portugueses mais conhecidos.

Sugestões de atividades: No Dia Mundial da Poesia pode:
.escrever um poema sobre o que sente
.escrever poemas com os amigos
.declamar poemas
.reler os poetas e os poemas preferidos
.colocar poemas em música
.assistir a encontros de poetas
.assistir a filmes sobre poetas
.dizer às pessoas o que sente por elas
.fazer de cada gesto um poema

A 21 de março celebra-se também o Dia Mundial da Árvore. Pode construir uma árvore com folhas de poemas, por exemplo. Ou escrever um poema sobre uma árvore
.
J.Carvalho

Paulo Autran - Poemas (Poesia Declamada)





16.3.17

MUCURIPE -Roberto Carlos, Fagner



UM MOMENTO SUBLIME

A Riqueza dialética da letra,
A harmonia e as vozes de Roberto e Fagner
fazem desta composição a obra prima de sua carreira.
Segundo o autor,  ela teria sido feita para Roberto Carlos gravar.

J.Carvlaho

13.3.17

Vander Lee - Do Brasil



Inspirado nessa bela canção denúncia de Vander Lee  "Do Brasil", fiz este poema que serve como homenagem ao meu ídolo e amigo que se foi tão precocemente.


PAÍS dos ABSURDOS
No país das Ignomínias
das tramas, máculas, desperdícios,
um país de homens sem juízo
dos horrores, dos favores vís
do contraditório e do imoral
No país da fartura
dos paradóxos
país dos vícios
dos agrotóxicos
das contaminações contínuas
País de muitos planos e leis
que não se efetivam
sem vigília pouco se aplicam
que retardam avanços
nas cidades e campos
País dos projetos insanos
que não aponta caminhos
só destroem os ninhos
que poderiam garantir
o meu, o teu, o nosso futuro.
País dos Absurdos!
J. Carvalho

8.3.17

MINAS É MAIS - (No Jornal Vossa Senhoria)



O MENOR JORNAL DO MUNDO,  o VOSSA SENHORIA, neste março/2017 mês da poesia, me contemplou com a publicação, parte dos versos do meu poema "Minas é Mais",  por ser impossível pela dimensão do jornal que é de epenas de 3,5 por 2,5 cm, de o fazer na íntegra. Muito me honrou a postagem. Segue o poema na sua integridade:



Minas é mais

Minas não é só

Não é só esse credo

Essa imensa cruz de ferro

Esse vaievém perverso

Do trem  que leva pra longe a montanha.


J. Carvalho



SOBRE O  VOSSA SENHORIA:  

Um jornal que já foi reconhecido pelo "Guinness World Records", o livro dos recordes, como o menor do mundo e que teve sua publicação interrompida por várias vezes desde o lançamento, há 81 anos, voltou a circular no mês de agosto/2016,  em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. 
Com 3,5 centímetros e altura e 2,5 centímetros de largura, o "Vossa Senhoria" foi relançado no dia 20 de agosto/16, às 10h, no Teatro Municipal Usina Gravatá, dentro da programação da Festa Literária de Divinópolis (Flid). A publicação será mensal e a tiragem inicial será de mil exemplares, que deverão ser distribuídos em várias cidades mineiras e também em São Paulo. Os editores esperam poder enviar cópias a antigos assinantes que moram em várias partes do Brasil.
O "Vossa Senhoria" foi fundado em 18 de agosto de 1935 em Goiás (GO). A ideia ganhou o papel pelas mãos do gráfico e jornalista mineiro de Uberlândia Leônidas Schwindt. O tamanho original era nove por seis centímetros, passando depois para dez por sete centímetros, sempre com conteúdo político crítico, o que chegou a lhe render censura do governo federal em 1955, quando o país esteve sob estado de sítio.


6.3.17








Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”



(Leandro Gomes de Barros, poeta paraibano)