22.7.17

Verve Feliniana

Adormecerei sob a verve Feliniana,
aceitando que se quisermos
compreender a vida
temos que nos dedicar
ao silêncio

J. Carvalho


Verve Quintaniana

Despertei com a verve
Quintaniana,
não me irritarei
por mais que me fizer
coração alheio
farei disso sutilmente
o meio recreio

J.Carvalho


21.7.17

Verve Chapliniana

Despertei
com a verve chapliniana
ciente da impermanência
de tudo neste mundo cruel

J.Carvalho


20.7.17

Verve Suassuniana

Nesta noite
adormecerei sob a verve
Suassuniana:
nem tanto otimista tolo
nem pessimista chato
apenas um esperançoso
pragmático

J.Carvalho



18.7.17

Verve Pessoniana

Hoje despertei com a verve
Pessoaniana
só que não menti completamente
nem finge nenhuma dor
disse tudo desbragadamente
o que devia
e até o que não.

J.Carvalho




AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

Verve Drumondiana

Hoje acordei
com a verve
Drumondiana
só que chutei
todas as pedras
que vi pelo caminho.

J.Carvalho


No Meio do Caminho



No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra


Carlos Drumond de Andrade