10.8.05

Uma Mulher Especial

- Segue abaixo um belo texto de Danielle Miterrand, esposa do ex-presidente François Miterrand, ao povo francês, após ter recebido críticas impiedosas por ter permitido a presença da amante do marido e de sua filha, Mazarine, na cerimônia fúnebre.
"Antes de mais nada devo deixar claro que não é um pedido de desculpas. Muito menos um enunciado de justificativas vãs, comum aos covardes ou àqueles que vivem preocupados em excesso com a opinião dos outros. Aos 71 anos, vivendo a hora do balanço de uma existência que é um sulco bem traçado e profundo, já não mais preciso, e nem devo, correr atrás de possíveis enganos.Vivo o momento em que as sombras já esclarecem e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens. Vivi com François 51 anos; estive com ele em muito desse tempo e me coloquei sempre. Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível. Uma vida de altos e baixos.
Na época da Resistência nunca sabíamos onde iríamos passar a noite - se na cama, na prisão, nos bosques ou estendidos por toda a eternidade. Quando se vive assim em comum, cria-se uma solda e a consciência de que é preciso viver depressa. Concentrar talvez seja a palavra. Por isso tentei entendê-lo, relacionar-me com sua complexidade, com as variações de sua pessoa e não de seu caráter... Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão. Ou jamais os conhecemos, o eu também, não é um engano. Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador que destrói tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não, enfastiada. Nessa complexidade, vi que meu marido era tão meu amante quanto da política. Vi, também, que como um homem sensível poderia se enamorar, se encantar com outras pessoas, sem deixar de me amar. Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago. Simone de Beauvoir dizia bem que temos amores necessários e amores contingentes ao longo da vida. Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: "Obrigado por ter aberto um novo caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderia ir ao enterro porque a mulher dele não aceitava". É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo" .
"Deus não prometeu Dias sem dor;
Risos sem sofrimentos; Sol sem chuva.
Ele prometeu força para o dia;
Conforto para as lágrimas e Luz para o Caminho..."
Danielle Miterrand.

Manuel Bandeira

- Vejam que atual esse poema escrito por Manuel Bandeira em 27/12 de 1947:

"Vi ontem um bicho na imudicie do pátio,
catando comida entre os detritos;
quando achava alguma coisa,
não examinava, nem cheirava:
engolia com voracidade.
O bicho não era um gato, não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem."

4.8.05

Não Vamos Enterrar de Vez a Nossa Esperança

"...você faça o favor de facilitar o caminho da esperança"
Clarice Lispector


As mentes obtusas de deputados e depoentes avançam acuadas,
medrosas e impactadas diante de tantas CPIs.
Todos que lá na capital federal transitam, sabiam que em algum momento de um dia qualquer, um maluco viciado em grana farta das tramas políticas partidárias, se sentindo contrariado,
iria abrir o jogo e entregaria a todos. E o "cara" abriu, escancarou de vez e a cada dia a lista dos falsos defensores do povo cresce e parece sem fim.
E agora José? E agora Zé ninguém? E agora...?

As perguntas são repetitivas e as respostas são sempre com ar de falsidade, arrogância e ironia, apesar dos depoentes jurarem dizer a verdade pelo bem do povo brasileiro (irc!!). Os deputados da oposição querendo trazer o presidente Lula de qualquer maneira para o olho do furacão e os petistas em sua maioria, e o deputado Roberto Jefferson defendendo-o com firmeza e jurando uma gratidão que nos causa receio e desconfiança. Um deputado já o indagou por que defende tanto o presidente, já desconfiando.

O Circo avança e novos atores serão convocados a depor. O país continua na expectativa e aguardando até onde tudo isso vai acabar. Será em pizzas de todos os sabores?
O Câncer é enorme, sabemos, e a metastase está em todo o organismo do congresso nacional. Pedidos de impeachment do presidente já teve início e a lista de cassações de deputados já se estende.

O presidente viaja pelo nordeste do país se aproximando cada vez mais do povo humilde que o elegeu e segue a sua estratégia escolhida para esse momento crítico e em ano de véspera de eleição. Recentemente até já plagiou o ex-tecnico Zagalo, dizendo que a oposição vai ter que o engolir, referindo-se a sua candidatura à reeleição. Já fala de ódio e solta bravatas e coisas mais. Talvez não seja o melhor caminho deflagrar a bandeira da reeleição no meio de tanta sujeira que envolve personalidades importantes do partido que o elegeu.
O sensato seria um discurso firme, mas sem provocações diretas à oposição, pois os ânimos poderão se exaltar ainda mais e criar um clima perigoso e insustentável à governabilidade do país.

Não vamos enterrar de vez a nossa esperança, criando mais conflitos e aguçando a situação política do país. Não podemos nos esquecer que a economia estável tem um limite. Os investidores que apostam em nosso país, estão atentos e mesmo que nossa oferta de juros elevados sejam um grande atrativo, se o ambiente avançar para o descontrole, poderá haver fuga de capital e a nossa estabilidade econômica não suportar e nos levar de vez a todos para um rumo imprevisível.

Que a nossa esperança seja preservada.

3.8.05

Recado a Um Presidente

Tem presidente que faz acontecer;
Tem presidente que pensa que faz acontecer;
Tem presidente que apenas assiste o que acontece;
Tem presidente que não faz e não ver nada acontecer.

Te cuida Lula!

A Lógica e a Verdade

incrível como no rídiculo palco Brasil das CPIs,
lógica e verdade são díspares, quando deveriam ser pares.

Enquanto o (suposto) corrupto e acossado, ataca com inverdades para morrer de pé e de frente as câmeras, o suposto (verdadeiro) e íntegro, vai tendo que se justificar e provar que não é o corrupto e arquiteto maior de um esquema de corrupção jamais escancarado na mídia de nosso país.

O circo avança, o presidente Lula cobra da imprensa que mude o foco, pois deve acreditar - e eu acredito - que quanto mais câmeras, mais blefes e lorotas vão surgindo intecionalmente para complicar ainda mais o desfecho final. Fica claro que vão soltando acusações falsas para estender o tempo para as conclusões e assistirmos a cassações, quebra de farsas, prisões, etc.

Em defesa da verdade e da lógica, imagino: Se há tanto dinheiro como noticiado e se a intenção era tornar lícita as ações de repasse desse dinheiro a partidos políticos para fecharem suas contas de campanhas, ou mesmo financiar um projeto de perpetuar um partido no poder, nada melhor que usar produções e veiculações de campanhas publicitárias que são caras e os superfaturamentos é prática comum, facilitando, portanto, toda essa lavagem imoral.

No mais os bancos envolvidos não tem uma história de beneces ou atitudes de filantropia nem no âmbito regional muito menos no âmbito nacional. Um deles, sempre que há um escândalo envolvendo grande somas com políticos nas negociações, está lá sendo noticiado, já faz anos e nada acontece, por que será?

O país está bem na economia. Não interessa a elite oposicionista, principalmente a de São Paulo. Interromper o sucesso do governo Lula tornou-se um objetivo maior. Vamos prestar atenção e lembrar de pessoas que transitam próximo ao Marcos Valério, por exemplo sr. Daniel Dantas do banco Oportunity, de velhos escândalos; trânsito em governos anteriores e sociedade com gente muito próxima de governos de estados, inclusive aqui nas gerais. Partidos que já fizeram compras de votos, privatizaram a nação a preço de bananas, enfim. Vamos ficar atentos, pois num país que todos roubam, ninguém rouba; país onde todos mentem, ninguém mente.

Vida que segue.

2.8.05

Por que sou mais José Dirceu

Não precisamos ter uma inteligência superior para
concluir apenas com os olhos da sabedoria e do coração
que o deputado Roberto Jerferson tem mais probabilidade de estar mentindo, em seus depoimentos na CPMI, do que o deputado José Dirceu.

Numa análise mais crítica, obervamos que o passado político condena.
Buscando na história dos dois, sou muito mais o José Dirceu; por sua honra, trajetória política, militância nas bases partidárias, um homem que fundamentou sua vida pública com diginidade, sempre presente na construção de seu sonho, sofreu exílio, enfim, um perfil de lutador e patriota.
Que seus companheiros de partido fizeram bobagem locupletando-se com esse lobista Marcos Valério, não temos dúvida. Homem esquivo, de personalidade frágil, olhar e gestos que não nos passa confiança quando depõe. Nos parece coisa montada e repleta de defesa. Sua trajetória ligada a bancos estaduais de Minas Gerais, serviços prestados a outros governos, patrimônio declarado com rápido crescimento em poucos anos, enfim, por tudo isso, há grandes suspeitas de se tratar de um elemento complicado para se ter como avalista de um partido que tanto lutou para chegar ao poder. No mínimo faltou zelo à sua cúpula administrativa para resguardar a memória de 25 anos de luta.

Já o sr. Roberto Jefferson, "O Homem da Ópera", tem um passado duvidoso; basta analisarmos sua trajetória mais recente na era Collor e negociações para apoiar governos passados. Um homem com um olhar agressivo, gestos e palavras debochados, teatralizados; um verdadeiro jogador, que aos 45 do segundo tempo tomou um gol de impedimento e o juiz não viu. E o que é pior, não tinha gravação para testemunhar e brigar no tapetão.
É fácil acusar, difamar as pessoas, soltar acusações ao vento fazendo pose para imprensa e depois dizer que não tem provas.

Sou mais José Dirceu, porque me pareceu mais verdadeiro e compromissado com o país. E o meu olhar não me engana, prefiro acreditar que ele diz a verdade. Posso estar enganado, mas prefiro ser negado pelas conclusões do relatório final da CPMI. Tomara que as instituições consigam sobreviver a tudo isso e que a lição sirva para o país renascer com um novo modelo, mais saudável de se fazer política partidária, para o bem de todos nós e das gerações futuras.