15.1.18

O Tempo Passa? Não Passa


in: olhares.com

O Tempo Passa? Não Passa
Carlos Drummond de Andrade
  

O tempo passa ? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.



8.1.18

O Homem e A Mulher

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O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.
Victor Hugo

3.1.18

NUNCA ESQUEÇAS TEU CABERNET SAUVIGNON

Quando não tiveres mais o ânimo para proferir a palavra da verdade diante dos fortes, opte a não mentir para obter o aplauso dos fracos e desesperados. E nunca esqueças teu Carbernet Sauvignon!

Se a corrida pelo dinheiro não for mais teu estímulo, não desista dos outros caminhos mais leves pra obter a tua felicidade;
E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Se o teu êxito não te tiras a humildade;
e se a tua humildade, não te tiras a tua dignidade,
então estás no caminho certo;
E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Ou quando conheceres a outra face da realidade e detectares teus equívocos e contradições, não te esqueças de fazer o "mea culpa" e reconheças que acusastes a muitos só porque não partilham do teu critério.
E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Aprendas a amar aos outros como ama a ti mesmo e a julgar-te como fazes aos outros; mas não te deixes embriagar com o êxito, quando tu consegues, nem a te desesperares se fracassas.
E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Lembra-te sempre de recordar que o fracasso é a prova que antecede a tua vitória. E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Aprenda que a tolerância é o espelho de dignidade e o mais alto grau da força e que o desejo de vingança é a primeira manifestação dos fracos e inescrupulosos. E nunca esqueça teu Carbenet Sauvignon!

Se te despojas do poder, te permitas alcançar a esperança de por outros meios acançares o êxito e se mesmo não alcançares, te permitas a força de vontade para vencer a iminência do fracasso.
E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Se te subtraem o dom da saúde abasteça-te com a graça da fé. Se ferires a alguém, exerce o dever da desculpa e se alguém te causar dano, exerce a coragem do perdão e da clemência. E nunca esqueças teu Cabernet Sauvignon!

Oh Pai! Se eu olvidar da tua luz, nesses caminhos sombrios de agora, não me abandones! Pois nunca esquecerei de Ti, como não esquecerei o meu Cabernet Sauvignon!

J.Carvalho


14.12.17

BH TRISTE HORIZONTE - CDA


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POR QUE DRUMOND, CHAMOU BH de TRISTE HORIZONTE!

Serra do Curral vista do lado onde parece intacta

Por Maria Cristina Bahia Vidigal

Plagiando Gabriel Garcia Marquez – não sei se foi exatamente assim que aconteceu, mas é assim que eu me lembro do episódio do qual fui protagonista e que narro a seguir, a pedido da minha amiga Maya, contemporânea deste e de outros acontecimentos.

Em 1976, a ditadura militar imperava, as mudanças aceleradas sequer eram imaginadas e Belo Horizonte restava provinciana. Eu começava carreira no Estado de Minas. Domingo de sol, resolvemos, um pequeno grupo e duas companheiras da raça pastor alemão, subir a Serra do Curral, aventura cultivada desde os tempos do Colégio Estadual Central. A Serra ainda era nítida no horizonte ao sul da capital pacata; a trilha de subida permanecia marcada, denotando a presença intrépida de aventureiros recentes. Começamos a subida bem cedo, com as adversidades previsíveis – pedras, insetos, arbustos, mato.

Quase ao topo, talvez uma hora depois, um segurança(ou dois?) armado nos deu uma espécie de “alto lá”. Como assim, cara pálida, diria o meu amigo Airton Ribeiro, se lá estivesse, por que não podemos subir? “Isso aqui é da MBR, vocês estão invadindo propriedade privada”. O senhor está enganado, a Serra do Curral é da cidade, sempre subimos e descemos quando assim entendemos, foi o que retrucamos. “Pois agora não sobem mais”, decretou o segurança fardado de azul, que a minha memória reputa como um brutamontes.

Veja o que a mineração fez do lado de trás da Serra
Descemos, vencidos – afinal, os tempos eram duros e Milton Campos já tinha ensinado que, nas ditaduras, o pior é o guarda da esquina. Mas não totalmente vencidos. Indignada, fui para a redação do jornal e fiz a matéria, publicada com destaque no dia seguinte. Com uma carta, a matéria publicada foi enviada para o mineiro Carlos Drummond de Andrade, radicado no Rio.

Aí veio a bomba – alguns dias depois, o poeta fez um protesto violento em versos lindos e duros. Baseado nos fatos narrados na matéria, despedia-se de Belo Horizonte: “Não quero mais, não quero ver-te, meu triste horizonte e destroçado amor”. O adeus atormentado do poeta colocou em polvorosa políticos, autoridades e empresários; durante muito tempo, batemos com força na mineradora e na sua arrogância.

Ao fim e a cabo, nada mudou – a Serra continuou interditada e acabou destruída, comida pelas escavadeiras sedentas por minério. Foi-se a Serra, a empresa também desapareceu, engolida por uma outra, gigante.

O poeta escreveu o poema e nunca mais pôs os pés em BH
Ficou para sempre o lamento do poeta no poema Triste Horizonte:
“Por que não vais a Belo Horizonte? a saudade cicia e continua, branda: Volta lá.
Tudo é belo e cantante na coleção de perfumes das avenidas que levam ao amor, nos espelhos de luz e penumbra onde se projetam os puros jogos de viver. Anda! Volta lá, volta já.
E eu respondo, carrancudo: Não.

Não voltarei para ver o que não merece ser visto, o que merece ser esquecido, se revogado não pode ser.

Não o passado cor-de-cores fantásticas, Belo Horizonte sorrindo púber e núbil sensual sem malícia, lugar de ler os clássicos e amar as artes novas, lugar muito especial pela graça do clima e pelo gosto, que não tem preço, de falar mal do Governo no lendário Bar do Ponto.

Cidade aberta aos estudantes do mundo inteiro, inclusive Alagoas, “maravilha de milhares de brilhos vidrilhos” mariodeandrademente celebrada.

Não, Mário, Belo Horizonte não era uma tolice como as outras. Era uma provinciana saudável, de carnes leves pesseguíneas. Era um remanso, era um remansopara fugir às partes agitadas do Brasil, sorrindo do Rio de Janeiro e de São Paulo: tão prafrentex, as duas! e nós lá: macio-amesendados na calma e na verde brisa irônica…

Esquecer, quero esquecer é a brutal Belo Horizonte que se empavona sobre o corpo crucificado da primeira. Quero não saber da traição de seus santos. Eles a protegiam, agora protegem-se a si mesmos. São José, no centro mesmo da cidade, explora estacionamento de automóveis. São José dendroclasta não deixa de pé sequer um pé-de-pau onde amarrar o burrinho numa parada no caminho do Egito. São José vai entrar feio no comércio de imóveis, vendendo seus jardins reservados a Deus. São Pedro instala supermercado. Nossa Senhora das Dores, amizade da gente na Floresta, (vi crescer sua igreja à sombra do Padre Artur) abre caderneta de poupança, lojas de acessórios para carros, papelaria, aviário, pães-de-queijo.

Terão endoidecido esses meus santos e a dolorida mãe de Deus? Ou foi em nome deles que pastores deixam de pastorear para faturar? Não escutem a voz de Jeremias (e é o Senhor que fala por sua boca de vergasta): “Eu vos introduzi numa terra fértil, e depois de lá entrardes a profanastes. Ai dos pastores que perdem e despedaçam o rebanho da minha pastagem! Eis que os visitarei para castigar a esperteza de seus desígnios”.

Fujo da ignóbil visão de tendas obstruindo as alamedas do Senhor. Tento fugir da própria cidade, reconfortar-me em seu austero píncaro serrano. De lá verei uma longínqua, purificada Belo Horizonte sem escutar o rumor dos negócios abafando a litania dos fieis. Lá o imenso azul desenha ainda as mensagens de esperança nos homens pacificados – os doces mineiros que teimam em existir no caos e no tráfico. Em vão tento a escalada. Cassetetes e revólveres me barram a subida que era alegria dominical de minha gente. Proibido escalar.

Proibido sentir o ar de liberdade destes cimos, proibido viver a selvagem intimidade destas pedras que se vão desfazendo em forma de dinheiro. Esta serra tem dono. Não mais a natureza a governa. Desfaz-se, com o minério, uma antiga aliança, um rito da cidade. Desiste ou leva bala. Encurralados todos, a Serra do Curral, os moradores cá embaixo.

Jeremias me avisa: “Foi assolada toda a serra; de improviso derrubaram minhas tendas, abateram meus pavilhões. Vi os montes, e eis que tremiam. E todos os outeiros estremeciam. Olhei terra, e eis que estava vazia, sem nada nada nada”.

Sossega minha saudade. Não me cicies outra vez o impróprio convite. Não quero mais, não quero ver-te, meu Triste Horizonte e destroçado amor”.

Maria Cristina Bahia Vidigal é jornalista e Relações Públicas, com especialização em gestão e planejamento de Comunicação

1.12.17

Maturidade Espiritual


Que NESTE NATAL 

despertemos para a grandeza
da Maturidade Espiritual!
Feliz Natal!
Que estejamos
em paz com o aniversariante
em paz conosco
em paz com a família
em paz com os amigos
tolerante com os contrários
em paz com a vida!

J.Carvalho




19.9.17

RÉSTIA DE ESPERANÇA





Mergulhados  estamos na nuvem escura da crise política brasileira, interminável crise, que se arrasta e que tem suas origens na escassez de caráter dos homens públicos, no escracho  que imprime descrédito ao status da vida econômica e política do falido protecionista e corrupto estado nacional. Impera o desrespeito às leis, às instituições, aos bons costumes;  vivenciamos a falta de limites aos supremos da ordem e da justiça. Inertes sob o império da desfaçatez e da mentira; quebram-se os elos de confiança nas instituições e o que nos resta é contemplar atônitos um circo de horrores que deixariam vermelhos os mais anarquistas dos pensadores.

Que horizonte mirar e projetar para o amanhã da nação brasileira? Vivemos uma crise de lideranças em grau estarrecedor, com todos que ascenderam aos cargos maiores da política nacional: presidência da república, câmara e senado, todos maculados, indiciados por envolvimentos em corrupção e desvios de dinheiro público em volumes jamais visto em nossa história antiga e contemporânea. E o pior, não miramos nenhuma reserva moral para nossos pleitos eleitorias futuros. Os atuais senhores do poder e os seus antecessores, nestes últimos 14 anos, ou uma década e meia, todos mergulhados num circo de horrores e sem o menor sinal de luz no fim do túnel que se apresente uma solução às centenas de processos de desvios de toda ordem, com impactos negativos nas instituições supremas que os julgam. Caminhamos para o fechamento de mais um ciclo sem qualquer perspectivas de salvação, mais uma década perdida.

O povo diante de todos os escândalos, continua passivamente a acompanhar pela mídia, que perdida e tendenciosa, relata por sua ótica opaca e anestesiada pelos interesses diversos, passando-nos diariamente suas visões sobre os fatos muitas vezes distorcidas e com equívocos de toda ordem; muitas desacreditadas.

Logo estaremos em 2018 com o desafio de votar em políticos que não acreditamos e ao mesmo tempo sonhando que se apresentassem boas escolhas, o que não teremos. O desafio está lançado e vem a pergunta: o que fazer? Anular nosso voto e dar um atestado de revolta com a classe politica jamais visto na história republicana? Seria um manifesto de peso e inédito, creio.

Bem, temos à nossa disposição as redes sociais como instrumentos e meios de convocações que são fortes e determinantes nessas horas de decisões. Meditemos e avancemos em ideias para que logo mais adiante possamos, cientes  de nosso poder de compartilhamentos, cada um de nós influenciarmos para o bem de nosso futuro como nação.

Que Réstia de Esperança nos alentará? 

J.Carvalho